Ousar lutar, ousar vencer!
Derrotado que foi o pacote laboral, é oportuno lembrar que só a luta organizada do povo e da generalidade dos trabalhadores foi capaz de vencer a obstinação governativa em impor aquele conjunto de medidas que seriam altamente lesivas para o mundo do trabalho.

Artur Ribeiro é comerciante e foi Vereador da CDU na Câmara Municipal de Matosinhos.
Entretanto é preciso lembrar, também, que muitas outras ameaças aos interesses do povo e dos trabalhadores se perfilam no horizonte. No campo laboral e em muitas outras áreas da nossa vida coletiva.
Na Habitação, o governo anuncia o propósito de descongelar rendas antigas, acelerar despejos, mas não se empenha na tarefa essencial de construir mais habitação pública. E seria por aí, sobretudo por aí, que se encontraria solução para o grave problema da habitação no país.
Na Saúde, falhada a promessa de médico de família para todos e a diminuição dos tempos de espera para consultas e atos médicos, o governo empenha-se na inauguração de hospitais privados, em vez de garantir melhores condições aos profissionais, sobretudo médicos e enfermeiros, de modo a evitar o êxodo destes quadros para o setor privado e para o estrangeiro, em prejuízo do SNS.
Na Educação, em vez de garantir qualidade no ensino, o governo remunera mal os professores, muitos deles obrigados a lecionar longe dos locais de residência, num pano de fundo de agitada perturbação nos modelos de avaliação e exames.
Nos Salários e Pensões, temos o governo a adotar medidas fortemente restritivas nesta matéria, enquanto – sempre ao lado dos poderosos – atribui isenções fiscais à Banca, às Seguradoras, às Gasolineiras, à ANA, à Grande Distribuição. E se prepara para gastar 3,25% do PIB já este ano na Defesa (mais 4 mil milhões que no ano anterior). Dinheiro para armas abunda; para aumentar pensões e salários, escasseia!
Tudo isto são matérias fartamente abordadas pelo Papa Francisco, que por diversas vezes referiu que as pessoas têm direito a trabalho digno e a salários justos.
Enfim, o governo prepara-se para atacar o nosso ordenamento democrático e para FERIR a Constituição, ensaiando uma revisão constitucional que visa fragilizar os alicerces da nossa Lei Fundamental.
Como se vê, não faltam motivos para que os portugueses, o povo, os trabalhadores, se mantenham alerta, vigilantes, mobilizados.
Nada se consegue sem luta. Tal como aqui tenho escrito, quando se luta, ora GANHA-SE, ora PERDE-SE; quando não se luta, perde-se sempre.
É por isso mesmo que a luta tem que continuar.
27/07/2026
A equipa assume a gestão editorial de Terra da Fraternidade, mas os textos de reflexão vinculam apenas quem os assina.
