Continuar a luta
Nas eleições de domingo os portugueses deram uma lição de grande dignidade. Não obstante o vendaval que se abateu sobre muitos municípios do país, deslocaram-se às urnas e dessa forma honraram todos aqueles que durante muitos anos se bateram contra a ditadura, na luta pelos direitos fundamentais e, sendo um desses direitos, para que um dia todos pudessem votar em liberdade.

Artur Ribeiro é comerciante e foi Vereador da CDU na Câmara Municipal de Matosinhos.
A esmagadora vitória de António José Seguro, foi resultado da enorme rejeição do racismo, da xenofobia, da intolerância e dos tempos tenebrosos da guerra e da miséria que nos anos 60 e 70 obrigou dois milhões de portugueses a procurarem fora do país, uma vida melhor.
É verdade que com este resultado o perigo do regresso ao passado ficou afastado, mas isso não é suficiente.
Mais de meio século depois dessa radiosa manhã libertadora de Abril, continuam ainda por resolver importantes problemas.
É verdade que o Portugal de hoje não tem nada a ver com os tempos da ditadura. E se foram tempos tão tenebrosos com um Salazar, imaginem o que teria sido com "três Salazares".
Mas vamos ao mais importante. Nada nos é dado. Tudo tem que ser conquistado. Com dois milhões de trabalhadores a ganhar menos de mil euros; com a maioria dos reformados com menos de 600 euros de pensão; com mais de dois milhões de pessoas a viverem abaixo do limiar da pobreza; com tantos problemas na Habitação e na Saúde, com falta de creches e de lares para os idosos, com uma proposta de Código Laboral que retira ainda mais direitos a quem trabalha, enfim, com todos estes problemas a luta tem mesmo que continuar.
A vitória de um democrata para a Presidência da República, que tantas vezes tem afirmado que a Constituição tem que ser cumprida, deixa em mim a esperança que, tal como aqui escrevi no meu último texto, 2026 possa ser, de facto, o ano da esperança.
Esperança, essa palavra tantas vezes pronunciada por António José Seguro. Mas para que essa esperança se concretize, a luta não pode abrandar.
Luta contra o Pacote Laboral, luta por melhores salários e pensões, luta pelo direito à Saúde, e à habitação, luta por uma vida digna para todos, todos, todos, como dizia o nosso saudoso Papa Francisco.
E porque é esse o caminho, vamos a isso.
12/02/2026
A equipa assume a gestão editorial de Terra da Fraternidade, mas os textos de reflexão vinculam apenas quem os assina.
