A Paz como horizonte
Na campanha eleitoral Donald Trump jurou que, caso eleito, se iria concentrar na solução dos problemas nacionais dos EUA e que, breve, acabaria com a guerra, com todas as guerras. Em consequência, achava que a humanidade, por dever de gratidão, teria de o galardoar com o Prémio Nobel da Paz.

Artur Ribeiro é comerciante e foi Vereador da CDU na Câmara Municipal de Matosinhos.
Santa ingenuidade. Uma vez eleito, talvez temendo grande divulgação do seu envolvimento no caso Jeffrey Epstein, Trump envereda por uma politica demencial, desconexa, aventureira, belicista. Passa a atacar tudo e todos, sem respeito pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, sem respeito pelas instituições do seu próprio país.
Na guerra no Irão, que desencadeou enquanto decorriam conversações, Trump elegeu Netanyahu como cúmplice privilegiado. Depois do genocídio em Gaza, Netanyhau é chamado a protagonizar uma nova página negra na história da humanidade.
O histórico das agressões americanas no mundo arrepia. O Iraque, a Síria, a Líbia, o Afeganistão, são países em ruínas. O embargo económico, comercial e financeiro a Cuba, iniciado nos anos sessenta, é um acto de inaudita prepotência, contrário a todas as Leis do Direito Internacional, um crime de lesa humanidade.
Olhos na guerra no Irão, aí as forças americanas e israelitas, entre outras funestas intervenções, atacaram uma escola em que mataram165 crianças, com idades entre os 7 e 12 anos. Quem responde por este hediondo crime? Quem o condena?
O silêncio dos líderes europeus face à guerra é ensurdecedor. Conforta-nos a atitude patriótica do primeiro ministro de Espanha: “Não, aqui mandamos nós e jamais trairemos os nossos princípios”.
Como eu gostava de ter um primeiro ministro assim afirmativo, relativamente ao uso da base das Lages pelas forças americanas, no contexto da guerra contra o Irão.
Como me confortam as palavras do saudoso Papa Francisco: "Com a guerra perdem todos. Só ganha quem vende as armas". E ainda: "Se as guerras acabassem, o dinheiro que se gasta em armas daria para acabar com a fome no mundo".
Como me conforta a postura do Papa Leão XIV, fiel ao legado de Francisco, abraçando a causa da Paz como uma das prioridades do seu pontificado, proclamando que a humanidade deve trilhar os caminhos da razão, da justiça, da reconciliação, da fraternidade. Quem o ouve?
16/03/2026
A equipa assume a gestão editorial de Terra da Fraternidade, mas os textos de reflexão vinculam apenas quem os assina.
