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A quem interessa a guerra ou que interesses uma guerra esconde?

Sabemos que, neste momento, estão ativos vários conflitos militares que, não nos dizendo diretamente respeito, não deixam de afetar a vida de cada um de nós. Os conflitos entre povos existem desde a origem da humanidade e, enquanto houver homens sobre a Terra, é possível que a guerra continue a ser uma realidade que ameaça a paz tão desejada no coração de cada homem e de cada mulher.

A quem interessa a guerra ou que interesses uma guerra esconde?

Nuno Pacheco é pároco em Alhos Vedros e Moita.

Todavia, o desrespeito pelo direito internacional torna-se cada vez mais frequente nos conflitos atuais, e parece que nada consegue travar as grandes potências mundiais envolvidas nessas guerras.

Vejamos, em primeiro lugar, o conflito iniciado no começo deste ano. Um país soberano é invadido sem qualquer declaração formal de guerra e as forças do país invasor retiram à força o Presidente eleito e a sua esposa, levando-os contra a sua vontade para uma prisão no território do invasor. Na declaração proferida pelo presidente que ordenou o ataque — sem a necessária autorização do Congresso do seu país — e que procurava justificar aquilo que intelectualmente continua injustificável, afirmou-se a intenção de se apoderar dos recursos petrolíferos da nação invadida.

Algum tempo depois, surge uma nova invasão a outro país, desta vez no Médio Oriente. Uma vez mais, sem autorização do Congresso e em clara violação do direito internacional. Tenho acompanhado com atenção os comentários apresentados pelos diversos meios de comunicação social. A opinião aqui descrita é assumida pela generalidade dos comentadores. O que não deixa de ser curioso é que ainda nem terminou este segundo grande conflito e já o presidente invasor ameaça invadir, muito em breve, um outro país soberano.

As imagens apresentadas são de partir a alma: cidades completamente destruídas, crianças mortas pelas bombas, famílias desfeitas. Um povo inteiro vive sob a ameaça constante da morte. Não são imagens belas e, certamente, a guerra não interessa a essas pessoas. Então, a quem poderá interessar manter tamanho sofrimento?

Uma coisa é certa: as indústrias de armamento do país invasor aumentam a sua produção e os seus stocks, enquanto o petróleo passa a render em níveis muito elevados.

O Papa Leão XIV, na senda do seu antecessor, recorda que todas as guerras são sempre uma derrota. Mesmo quando alguém vence pela força dos seus exércitos e dos seus arsenais, o sofrimento humano permanece imenso.

Se o direito internacional deixar de ser respeitado pelas grandes potências, então o Romano Pontífice terá razão: o mundo voltará a cair na armadilha de resolver os conflitos pela força.

Que as armas se calem e que a diplomacia fale. Mas nunca à custa da vida de inocentes nem da exploração dos recursos naturais dos países invadidos.

23/03/2026

A equipa assume a gestão editorial de Terra da Fraternidade, mas os textos de reflexão vinculam apenas quem os assina.

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