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«Todas as formas de manipulação não são legítimas» – D. Pedro Fernandes

15 de maio de 2026

Bispo de Portalegre – Castelo Branco pediu na 14ª Jornada de Teologia Prática, «credibilidade e seriedade» aos políticos e coragem aos cristãos para ultrapassar ameaças de «discurso único» e do medo.

«Todas as formas de manipulação não são legítimas» – D. Pedro Fernandes

Foto Agência ECCLESIA/JPG, Seminário Maior de Coimbra, XIV Jornada de Teologia Prática

O bispo de Portalegre – Castelo Branco criticou (...) “todas as formas de manipulação”, afirmou ser dever da Igreja católica “ajudar as pessoas a sentirem-se participantes” e desafiou os políticos à “credibilidade e seriedade”.

“Para toda a classe política, para todas as pessoas que estão envolvidas na política, parece-me que significa especialmente um desafio de muita credibilidade, de muita seriedade na relação com a comunidade ou com as comunidades, de muita seriedade na busca sincera de soluções para os problemas das pessoas e que as pessoas sintam isso e se sintam envolvidas nisso”, afirmou D. Pedro Fernandes à Agência ECCLESIA.

Perante o crescimento de “afirmações populistas e extremistas”, o responsável afirmou ser dever da Igreja “formar as pessoas para uma presença crítica e evangelizadora que seja inequívoca e que não compactue com discursos ambíguos”, que “fomentam o ódio e a divisão das pessoas”, e denunciar “formas de manipulação”.

“Todas as formas de manipulação, inclusive através do discurso religioso, não são legítimas precisamente porque são manipulação. O que faz que o cristianismo seja cristianismo é a fidelidade ao Evangelho, não é a fidelidade a ideologias populistas que tentam arrastar a multidão para discursos de ódio, ou para compartimentação da sociedade, ou para divisão da sociedade em blocos de gente de bem e gente de mal, gente aceitável e gente recusável, cidadãos de primeira e cidadãos de segunda”, frisou.

D. Pedro Fernandes participou na 14ª Jornada de Teologia Prática, que decorreu no Seminário de Coimbra, onde refletiu sobre «A consciência cristã e o compromisso político», e lamentou o “discurso único” e o “medo” que se percebem na sociedade.

“Vivemos numa sociedade, ao nível do ocidente contemporâneo, extremamente ameaçada pelo discurso único e pelo medo. O medo que faz as pessoas procurar soluções rápidas, soluções populistas e um populismo naturalmente que se alimenta do medo e que manipula justamente ao serviço de agendas de poder que não têm muito a ver nem com verdade, nem com o bem real, com o bem comum real. E portanto há que contrariar realmente o medo, fomentando por um lado a confiança, por outro lado a desconstrução de discursos fáceis e a perceção da vida, toda a sua complexidade”, indicou.

aulo Fontes, Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, lembra que a realização da 14ª Jornada de Teologia Prática, assinalou os 60 anos da «Dignitatis Humanae», declaração do Concílio Vaticano II Conselho de Vaticano, “fundamental na definição e na compreensão que a Igreja faz de adesão ao valor da liberdade”.

O professor afirmou o “grande desafio das polarizações e de um entendimento fechado das identidades”, procurando contrariar “a exclusão” e sublinhar a “dignidade de todos”, através do diálogo.

“O diálogo não é para consensualizar só posições, é uma palavra que está muito em voga também hoje, os consensos são necessários no campo da sociedade, no campo da política, mas chegar a eles pressupõe todo um processo – que é também fundamental – que é o reconhecer o valor e a dignidade do outro no exercício da sua liberdade conforme a sua consciência”, propõe.

Se a diversidade “faz parte da vida”, indica, é na “aceitação dessa diversidade” que se devem construir “espaços de convergência, de entendimento e de expressão dessa mesma diversidade”.

“A consciência individual obriga também à procura da verdade e a sermos capazes, cada um de nós, cada comunidade, cada grupo, cada religião, a dizer isso, mas ser capaz de o argumentar, não para chegarmos a um unanimismo, mas para termos, precisamente a partir deste entendimento daquilo que nos é, eu diria, natural, esta dignidade como pessoa, é isto que nos caracteriza a todos, que permitirá esse diálogo na pluralidade”, defende.

O investigador e docente da UCP indica que o “horizonte de comunhão” só existirá com “o reconhecimento da diversidade e da dignidade”: “É na convergência destas duas polaridades que hoje a Igreja Católica, ou das Igrejas Cristãs em geral, ou mesmo das outras tradições religiosas, estamos desafiados a caminhar”.

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