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Papa rejeita papel político, após críticas do presidente dos EUA, e exige fim de guerras

15 de abril de 2026

«Não tenho medo da administração de Trump. Continuarei a proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho» – Leão XIV

Papa rejeita papel político, após críticas do presidente dos EUA, e exige fim de guerras

Foto: Vatican News

O Papa rejeitou que o seu magistério tenha finalidades político-partidárias e exigiu o fim das guerras, em resposta às acusações proferidas este domingo pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

“Não tenho medo da administração de Trump. Continuarei a proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, aquilo por que a Igreja trabalha. Nós não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspetiva, mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores da paz”, disse Leão XIV, no voo entre Roma e Argel, esta manhã, ao ser questionado por uma repórter norte-americana sobre as declarações do presidente dos EUA.

A conversa com os jornalistas decorreu na viagem para a Argélia, a primeira etapa do périplo africano que decorre até 23 de abril.

“Não encaro o meu papel como o de um político, não sou um político, não quero entrar num debate com ele [Donald Trumo]. Não creio que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada como alguns estão a fazer”, apontou o Papa.

Continuarei a manifestar-me veementemente contra a guerra, procurando promover a paz, fomentando o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções para os problemas. Há demasiadas pessoas a sofrer hoje, demasiados inocentes foram mortos e creio que alguém deve levantar-se e dizer que existe um caminho melhor”.

O encontro com os cerca de 70 profissionais da comunicação social a bordo serviu também para perspetivar a viagem à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, que se iniciou esta manhã.

Leão XIV revelou o desejo antigo de visitar o continente africano, destacando a ligação pessoal e histórica à Argélia, por ter sido responsável mundial da Ordem de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja que nasceu e morreu no atual território argelino, no século IV, então sob ocupação do Império Romano.

“Já no ano passado, no mês de maio, tinha dito que gostaria de fazer a minha primeira viagem a África. Outros sugeriram imediatamente a Argélia por causa de Santo Agostinho. [Estou] muito contente por visitar novamente a terra de Santo Agostinho, que oferece uma ponte muito importante no diálogo inter-religioso”, adiantou o pontífice, em declarações divulgadas pelo portal de notícias do Vaticano.

A tradicional saudação individual aos jornalistas ficou marcada pela entrega de um fragmento de uma embarcação precária (‘cayuco’), utilizada por migrantes na travessia para as Ilhas Canárias.

O objeto foi oferecido por uma jornalista de uma rádio espanhola, recordando a rota atlântica que levou cerca de 10 600 pessoas até à ilha de El Hierro durante o ano de 2025.

O arquipélago insular integra o roteiro da próxima viagem apostólica do Papa a Espanha, que vai decorrer entre os dias 6 a 12 de junho.

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