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Papa deixa recados sobre Médio Oriente, Inteligência Artificial e bloqueios de Trump a jornalistas

9 de outubro de 2026

Na sua visita a França, Leão XIV fez um discurso forte no qual lembrou que as armas nucleares não trazem segurança e vincou que a Inteligência Artificial ameaça a humanidade. No avião que o levou a Paris, o papa aproveitou para garantir aos jornalistas que seriam sempre bem-vindos, deixando assim um recado a Donald Trump.

Papa deixa recados sobre Médio Oriente, Inteligência Artificial e bloqueios de Trump a jornalistas

Foto; VATICAN MEDIA /EPA

Referindo-se ao Médio Oriente, Leão XIV realçou no seu discurso “todos aqueles que são atormentados pelo flagelo da guerra”, defendendo que “não podemos permanecer indiferentes perante tais sofrimentos, que ferem a dignidade humana e clamam justiça a Deus”.

“Vai-se difundindo cada vez mais a convicção errada de que a posse de armas nucleares constitua uma garantia de segurança, alimentando uma nova corrida ao armamento dificilmente controlável”, alertou.

No entanto, “a paz não é um equilíbrio de forças, mas constrói-se dia a dia com o diálogo e a justiça”, lembrou o papa.

Ainda no avião que o transportou até Paris esta manhã, questionado pela CNN sobre a recente tentativa da Administração Trump de impedir a entrada de alguns órgãos de comunicação na Casa Branca, o papa respondeu aos jornalistas que eram todos bem-vindos.

"Estou muito feliz por aqui serem todos bem-vindos", sublinhou, referindo que "uma boa cobertura [jornalística] é muito importante".

As declarações surgem depois do presidente norte-americano ter proibido o acesso dos órgãos de comunicação CNN, MS NOW e Politico ao perímetro da Casa Branca, justificando a decisão com o que considera "notícias faltas" vindas desses jornalistas.

No seu discurso, o sumo pontífice destacou ainda o tema da Inteligência Artificial, “a fim de recolocar a pessoa humana no centro de toda a reflexão”.

“Para não perdermos a nossa humanidade no meio do ‘paraíso das máquinas’, que invade e condiciona o nosso quotidiano, é urgente formar os espíritos para um discernimento ético, capaz de distinguir o que é moralmente bom”, defendeu.

Leão XIV lembrou que “atualmente existe a tentação de esperar da ciência solução e conforto para todos os nossos sofrimentos”, mas “o risco é, muitas vezes, o de cair na ilusão”.

“Quando a ciência e a tecnologia não são orientadas pela consciência, podem propor soluções imediatas que parecem responder aos desejos e às dores dos homens e das mulheres, mas que, na realidade, podem desviá-los gravemente do bem a que aspiram profundamente”, alertou.

O papa disse ainda constatar com preocupação “os desvios atuais das sociedades, que correm o risco de deturpar a ciência e a tecnologia, transformando-as em empreendimentos lucrativos que favorecem as manipulações genéticas, a maternidade de substituição, o tráfico de órgãos ou a oferta de uma morte programada”.

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