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Arcebispo de Chicago condena «espetáculo» da guerra e critica vídeo da Casa Branca sobre o Irão

11 de março de 2026

Cardeal Cupich lança «um apelo à consciência», perante sofrimento real das pessoas

Arcebispo de Chicago condena «espetáculo» da guerra e critica vídeo da Casa Branca sobre o Irão

Foto: ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

O arcebispo de Chicago, cardeal Blase J. Cupich, acusou o Governo norte-americano de tratar o sofrimento do povo iraniano como entretenimento, condenando a publicação de um vídeo pela Casa Branca que glorifica os recentes bombardeamentos.

“Ver uma guerra real, com mortes reais e sofrimento real, a ser tratada como se fosse um videojogo, é repugnante”, afirmou o responsável católico, numa declaração pública intitulada ‘Um apelo à consciência’.

A reação do cardeal surge após a conta oficial da presidência dos EUA na rede social X ter divulgado imagens reais de ataques com mísseis norte-americanos e israelitas intercaladas com cenas de filmes de ação, acompanhadas pela legenda “Justice the american way” (Justiça à maneira americana).

“O nosso governo está a tratar o sofrimento do povo iraniano como pano de fundo para o nosso próprio entretenimento, como se fosse apenas mais um conteúdo para ser folheado enquanto esperamos na fila do supermercado”, lamentou o arcebispo de Chicago.

O responsável católico recordou que os ataques já vitimaram mais de mil homens, mulheres e crianças iranianas, provocando ainda centenas de milhares de deslocados, além da morte de soldados americanos, considerando que a memória destes militares foi também “desonrada” por aquela publicação.

“A crise moral que enfrentamos não é apenas uma questão da guerra em si, mas também de como nós, os observadores, vemos a violência, pois a guerra tornou-se agora um desporto para espectadores ou um jogo de estratégia”, alertou D. Blase Cupich.

O documento denuncia o fenómeno da “gamificação” do conflito bélico, apontando como exemplo os milhões de dólares movimentados recentemente numa plataforma de apostas online sobre a destituição e morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei.

“Que profunda falha moral, pois gamificar retira a humanidade de pessoas reais. Não nos esqueçamos de que um ‘golpe’ não é colocar pontos no placar; é uma família enlutada cujo sofrimento ignoramos quando priorizamos o entretenimento e o lucro em detrimento da empatia”, sustentou arcebispo de Chicago.

O responsável católico advertiu para a insensibilidade perante as consequências do conflito armado, sublinhando que a sociedade está a tornar-se viciada “no ‘espetáculo’ das explosões”.

“Sei que o povo americano é melhor do que isso. Temos o bom senso de saber que o que está a acontecer não é entretenimento, mas guerra, e que o Irão é uma nação de pessoas, não um videojogo que outros jogam para nos entreter”, concluiu o cardeal Cupich.

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