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"A guerra voltou a estar na moda". É preciso reforçar o multilateralismo

16 de janeiro de 2026

Na Sala das Bênçãos, no Vaticano, Leão XIV discursou para cerca de 420 diplomatas, guiados por George Poulides, embaixador de Chipre e Decano do Corpo Diplomático. O Papa denunciou a diplomacia da força, que está substituindo a diplomacia do diálogo: "A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias”.

"A guerra voltou a estar na moda". É preciso reforçar o multilateralismo

Foto: Vatican Media

Realizou-se a 9 de janeiro, uma das audiências mais importantes do ano. Tradicionalmente, ao receber o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, o Papa faz uma análise da conjuntura internacional, passando em resenha os principais fatos que marcaram os últimos meses. E assim foi para Leão XIV, que pessoalmente viveu o encontro como uma “novidade”, por ser sua primeira vez com os diplomatas de 184 países e organizações internacionais.

O Santo Padre começou recordando o Jubileu recém-concluído e a morte do seu predecessor, o Papa Francisco: “No dia do funeral, o mundo inteiro se reuniu em torno do seu caixão, sentindo a perda de um pai que guiou o Povo de Deus com profunda caridade pastoral”. Outro evento eclesial de destaque foi a viagem à Turquia e ao Líbano, pela qual o Papa agradeceu às autoridades de ambos os países pelo acolhimento.

Ao partilhar a sua visão sobre este tempo “tão conturbado por um número crescente de tensões e conflitos”, o Pontífice se deixou guiar pela grande obra de Santo Agostinho De Civitate Dei, "A Cidade de Deus". O livro não propõe um programa político, mas alerta para os graves perigos decorrentes de falsas representações da história, de um nacionalismo excessivo e da distorção do ideal do estadista. Para Leão XIV, certas semelhanças permanecem bastante atuais, como os movimentos migratórios e a reestruturação dos equilíbrios geopolíticos e dos paradigmas culturais.

“Neste nosso tempo, preocupa particularmente a fragilidade do multilateralismo no plano internacional. Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso de todos está a ser substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou de grupos de aliados. A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias.”

Hoje, analisou o Papa, não se procura a paz como um dom de Deus, mas através das armas, como condição para afirmar o próprio domínio, comprometendo gravemente o Estado de direito. O Pontífice recordou que a Organização das Nações Unidas foi criada 80 anos atrás tendo como eixo justamente a cooperação multilateral para salvaguardar a paz e defender os direitos humanos fundamentais.

A propósito do direito internacional humanitário, Leão XI recordou que deve sempre prevalecer sobre as veleidades dos beligerantes: “A Santa Sé reitera com firmeza a sua condenação de qualquer forma de envolvimento de civis em operações militares”.

Sobre o direito de expressão, reforçou a necessidade do diálogo, mas advertiu para o uso e o significado das palavras, cada vez mais utilizadas como uma arma com a qual se engana, se atinge e ofende os adversários, seja na política, seja nas redes sociais.

Ainda sobre a linguagem, o Santo Padre manifestou sua preocupação com o desenvolvimento de uma nova linguagem, que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, “acaba por excluir aqueles que não se adaptam às ideologias que a animam”.

Hoje, analisou o Papa, não se procura a paz como um dom de Deus, mas através das armas, como condição para afirmar o próprio domínio, comprometendo gravemente o Estado de direito. O Pontífice recordou que a Organização das Nações Unidas foi criada 80 anos atrás tendo como eixo justamente a cooperação multilateral para salvaguardar a paz e defender os direitos humanos fundamentais.

A propósito do direito internacional humanitário, Leão XI recordou que deve sempre prevalecer sobre as veleidades dos beligerantes: “A Santa Sé reitera com firmeza a sua condenação de qualquer forma de envolvimento de civis em operações militares”.

Sobre o direito de expressão, reforçou a necessidade do diálogo, mas advertiu para o uso e o significado das palavras, cada vez mais utilizadas como uma arma com a qual se engana, se atinge e ofende os adversários, seja na política, seja nas redes sociais.

Ainda sobre a linguagem, o Santo Padre manifestou sua preocupação com o desenvolvimento de uma nova linguagem, que, na tentativa de ser cada vez mais inclusiva, “acaba por excluir aqueles que não se adaptam às ideologias que a animam”.

Além de fronteiras geográficas, a paz também está ameaçada pela existência de arsenais nucleares. A propósito, o Papa Leão apontou para a importância de dar seguimento ao Tratado New START, que termina em fevereiro próximo. “O perigo é que o sonho seja o da corrida a produzir novas armas cada vez mais sofisticadas”, disse o Papa, incluindo neste tópico o desafio da inteligência artificial, ferramenta que também requer uma gestão adequada e ética.

Leão XIV concluiu seu discurso em tom esperançoso, pois mesmo diante deste quadro dramático, a paz continua possível. Exige humildade e coragem: "A humildade da verdade e a coragem do perdão".

Para finalizar, citou São Francisco de Assis, cuja morte completará 800 anos no próximo mês de outubro: “A sua vida é luminosa porque foi animada pela coragem da verdade e pela consciência de que um mundo pacífico se constrói a partir de um coração humilde, voltado para a cidade celestial. Um coração humilde e construtor de paz é o que desejo a cada um de nós e a todos os habitantes dos nossos países no início deste novo ano. Obrigado!”.

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