40 anos da Mesquita Central de Lisboa
10 de dezembro de 2025
Em 15 de Novembro realizou-se a sessão solene comemorativa das quatro décadas de existência e intervenção - religiosa, social, assistencial, cultural - da Mesquita Central de Lisboa, que decorreu nas suas instalações à Praça de Espanha, com grande participação.

Foto: Mesquita Central de Lisboa
Estiveram presentes o Presidente da República, a Ministra da Justiça, em representação do Governo, representantes e deputados das forças políticas com eleitos na Assembleia da República (com excepção do Chega), Embaixadores e Embaixadoras de Países Amigos - e não é possível deixar de valorizar o momento comovente de homenagem à Embaixadora da Palestina presente na sala - eleitos da Câmara de Lisboa e da Junta de Campolide, Bispo Católico de Lisboa e dirigentes de outras organizações religiosas, centenas de representantes de Instituições cooperantes com a Comunidade Islâmica e de cidadãos islâmicos e de outras religiões.
Foi uma grande iniciativa islâmica e ecuménica que, acreditávamos, iria ter a merecida repercussão mediática. Esperámos quase em vão - o tema e a sessão não aconteceram (ou quase não existiram) para muitos media - porque seria? Talvez porque, em si mesma, a Sessão desmentiria a campanha de ódio anti-muçulmana dos senhores do Chega & Companhia. Por isso trazemos aqui a notícia, por elementar justiça, para não ceder à desinformação, à ocultação da verdade e à imposição do pensamento único e para fazer, com verdade, o caminho do ecumenismo e da Paz.
Da Sessão destacam-se o seu tema, “Pela Paz, pelo diálogo e a fraternidade”, que traduz a intervenção comprometida e progressiva da Comunidade Islâmica nos dias de hoje, e duas intervenções, a do seu Presidente, Mohamed Ikbal e a do Sheik David Munir, Iman da Mesquita, que valorizaram a abertura da Mesquita à cidade, enalteceram os séculos de história comum, de proximidade e cultura entre os povos islâmicos e de Portugal, entre os portugueses católicos e os portugueses muçulmanos, denunciaram as campanhas xenófobas e racistas anti-muçulmanas e o discurso do ódio do Chega na actualidade, bem expresso nas provocações e agressões verbais e públicas a portugueses muçulmanos em 10 de Junho deste ano.
Os agressores visaram criar um conflito com as décadas recentes de liberdade e democracia, depois de Abril, com o acolhimento e inserção da comunidade islâmica e com a “portugalidade” da comunidade Islâmica.
As intervenções dos responsáveis da comunidade encontraram nos fundamentos religiosos comuns e nos valores da Liberdade Religiosa e do respeito ecuménico entre católicos e muçulmanos, e com outras religiões, e nos valores constitucionais de liberdade e igualdade dos cidadãos e das organizações religiosas, um presente e um projecto de diálogo e de intervenção pela Paz.
No final da Sessão Solene o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enalteceu a importância da “herança islâmica” em Portugal, considerando que “o país foi grande ao longo da história sempre que respeitou o espírito ecuménico, e pequeno quando não o fez.
