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O passado e o presente de Bergoglio

Álvaro Cunhal em 1942 no manifesto do comité central afirmou: “Estendemos lealmente a mão aos católicos, assegurando-lhes que não-desejamos atingir a sua liberdade de crença e prática de culto, certos de que o amor pela justiça e solidariedade humana que dizem sentir os trará á luta contra os «massacradores» das nações livres, contra os opressores do nosso povo e coveiros da independência Nacional.”

O passado e o presente de Bergoglio

Dírio Ramos é engenheiro electrotécnico e hospitalar, membro da Associação Mil por Abril (Milicianos do 25 de Abril), e católico.

Quando estava em Hanói, capital do chamado Vietname do Norte , tive uma enorme surpresa ao ver uma gigante faixa do Papa Francisco na fachada da Igreja. Assisti um pouco da missa e visitei um grande seminário com imensos estudantes.
Chegamos a Saigão, agora designada Ho Chi Minh, fomos à Catedral de Notre-Dame e, para surpresa lá estava uma espécie de curriculum do Papa, numa foto com o ditador Videla da Argentina.

Tenho um amigo de infância, que foi para Buenos Aires aos 16 anos para fugir á guerra colonial e quando lá estive de férias perguntei se era verdade que o arcebispo Bergoglio tinha apoiado a ditadura.

Resposta imediata: se não fosse a intervenção dele ainda seria pior.

Em Portugal chegavam notícias de que Francisco, enquanto arcebispo de Buenos Aires, teria abandonado dois padres que viviam e rezavam em bairros problemáticos.

Falso, dizia o meu amigo. Francisco era fantástico, antes de ser padre tinha tido uma namorada, sabia dançar o tango, era adepto do clube San Lourenço, (o mesmo do meu conterrâneo) tinha uma vida modesta, era amado pelo povo pobre sofredor, era tolerante com o problema da prostituição.

O escritor Sepúlveda, disse o pior do Papa, de que além de defender a ditadura era o confessor de Videla e que até lhe dava a comunhão insinuando essa ligação profunda com a Junta militar e, portanto, conivente com a tirania…

O jornalista, ex-guerrilheiro, Horácio Verbisky, sobre O Papa e a ditadura argentina, no livro A Única Verdade e a Realidade afirmou que Bergoglio teria retirado a protecção da igreja aos sacerdotes Yorio e Jalics, que faziam trabalho em zonas problemáticas, sendo estes sequestrados e torturados. Já com o Papa eleito, Jaclis, o único dos dois jesuítas que ainda vivo, veio negar a tese do ex-guerrilheiro Verbisky de que Bergoglio nada teria feito para evitar a sua detenção.

O ativista dos direitos humanos Esquivel, que recebeu o Prémio Nobel da Paz, disse que Bergoglio não teve vínculos com a ditadura militar que esteve no poder entre 1976 e 1983.

Duzdevich, jurista, escritor ex-guerrilheiro dos Monteneros, marxista de inspiração católica esteve em Santa Marta para entregar ao Papa o seu livro Salvados por Francisco com detalhes inéditos do apoio do jovem jesuíta aos perseguidos pela ditadura.

Em 2010, época em que era arcebispo de Buenos Aires, Francisco chegou a apresentar-se perante um tribunal de três juízes, que investigavam o período da ditadura. Algumas pessoas no governo queriam “cortar-me a cabeça”. Um desses juízes revelou ao Papa que tinham recebido instruções do governo para o condenar.

Uns dizem que virou o maior líder progressista do mundo. Outros escrevem sobre a travessia do arcebispo conservador para o progressista Francisco. Outros dizem que Francisco é progressista e até comunista porque faz críticas severas ao capitalismo.

Sobre as Mães de Maio confirma-se a bondade de Francisco, a troca de mensagens e reuniões de trabalho e apoio a esta organização. A fundadora das Mães de Maio, Bona Fini, na sequência de uma reunião com Francisco na casa de Santa Marta em 2016, disse ter reencontrado a fé : “Eu tinha perdido totalmente a minha fé quando a relação começou, ele me restituiu a fé, que é tão necessária… sem fé não se pode viver e graças a essa fé eu falo com os meus filhos todas as noites.”

22/01/2024

A equipa assume a gestão editorial de Terra da Fraternidade, mas os textos de reflexão vinculam apenas quem os assina.

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