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“Cada morte no trabalho é uma derrota para toda a sociedade.”
— Papa Francisco

No dia 4 de Fevereiro morreu, na Madeira, um trabalhador imigrante de 30 anos, oriundo do Bangladesh, no seu primeiro dia de trabalho na construção civil. Uma vida interrompida logo no início de um caminho que tinha sido escolhido com coragem e esperança.

“Cada morte no trabalho é uma derrota para toda a sociedade.”
— Papa Francisco

Elisa Mendonça, é assistente operacional, dirigente sindical do STFPSSRA, membro da Direção Nacional da Comissão da Igualdade dentre Mulheres e Homens - CGTP e membro do Conselho Regional da USAM - União dos Sindicatos da Madeira.

Nas redes sociais circula a fotografia deste trabalhador com o seu cartão de residência em Portugal. Sorri. Um sorriso simples, mas carregado de esperança, de amor e de futuro. Portugal surgia como promessa de uma vida digna, de sustento para os seus e de realização de sonhos legítimos. Cumpriu todos os trâmites legais para regularizar a sua situação no nosso país. Veio trabalhar. Veio contribuir. Veio viver.

E o que lhe foi oferecido? A morte. Um acidente de trabalho fatal.

O Papa Francisco foi claro e insistente: cada morte no trabalho é uma derrota para toda a sociedade. Não é apenas uma tragédia individual ou familiaré um fracasso colectivo, moral e político. Quando um trabalhador morre por falta de segurança, de fiscalização ou de condições dignas, todos falhámos.

Temos falhado com os trabalhadores imigrantes, frequentemente empurrados para os trabalhos mais duros e perigosos. Temos falhado na segurança e higiene no trabalho. Temos falhado enquanto sociedade que se diz civilizada.

Neste contexto, é impossível ignorar a responsabilidade política. Um governo de direita propõe um pacote laboral com mais de uma centena de medidas que penalizam, empobrecem e fragilizam os trabalhadores, os sindicatos e a contratação colectiva. Após a expressiva greve geral de 11 de Dezembro, o Governo escolhe desvalorizar a voz dos trabalhadores e recusa qualquer cedência significativa.

Tudo isto são derrotas da sociedade. Derrotas que ferem a dignidade humana, princípio central da doutrina social da Igreja. Derrotas que contradizem frontalmente o apelo do Papa Francisco a uma economia ao serviço da vida e não do lucro.

No dia 28 de Fevereiro, na grande manifestação convocada pela CGTP, no Porto e no Funchal às 10h 30, em Lisboa às 14h30. Teremos mais um momento de afirmação da classe trabalhadora e de repúdio claro a este pacote laboral. Para que a morte deste trabalhador não seja esquecida. Para que a dignidade do trabalho seja defendida. Para que não aceitemos, como normal, uma sociedade que convive com a injustiça, a exploração e a morte.

Porque cada vida conta. E porque, como nos lembra o Papa Francisco, uma sociedade que aceita estas derrotas deixa de ser verdadeiramente humana.

9/02/2026

A equipa assume a gestão editorial de Terra da Fraternidade, mas os textos de reflexão vinculam apenas quem os assina.

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