Resiliência e Desafios do Protestantismo em Portugal
O protestantismo histórico em Portugal tem uma longa história de resiliência. Desde 1838, na ilha da Madeira, através do obreiro inspirado e fiel servo de Deus, Robert Kalley.

Silvina Queiroz é ex-eleita da CDU na Assembleia Municipal da Figueira da Foz e membro da Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal.
Durante a ditadura infame que nos sufocou ao longo de 48 desgraçados anos, a que nem sequer a chamada “primavera marcelista” - expressão para adormecer incautos, logrou dar uma face menos agressiva, as congregações protestantes, muitas vezes arriscando a sua sobrevivência e a dos seus, foram muito perseguidas, mas mantiveram-se do lado da razão, faceta que haveriam de reafirmar, logicamente de modo mais aberto e veemente, a partir de Abril de 74.
Em 1971, as três igrejas protestantes históricas (Presbiteriana, Metodista e Lusitana), congregaram-se no COPIC – Conselho Português das Igrejas Cristãs, não tendo, de modo algum, o seu título qualquer intenção de exclusão. O COPIC é uma entidade profundamente ecuménica, tal como as Igrejas que lhe deram corpo. Estas e o COPIC em si mesmo têm desenvolvido muito trabalho no campo do alargamento e afirmação da visão ecuménica, sendo elementos muito visíveis desta acção a Carta Ecuménica, nascida em 2001 por mão das CEC (Conferência das Igrejas Europeias) e CCEE (Conselho das Conferências Episcopais da Europa) e recentemente revista, em 2025. Esta versão actualizada foi publicada conjuntamente pelo COPIC e pela CEP (Conferência Episcopal Portuguesa).
Outro elemento importante da caminhada ecuménica é a realização, em cada Janeiro, da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Os ecuménicos, católicos romanos e protestantes, têm procurado aprofundar laços com as duas religiões monoteístas que partilham connosco a adoração de um Deus Supremo e Único: judaísmo e islamismo. Nem sempre com os mais excelentes resultados mas “o caminho faz-se caminhando!”
A partir de certa altura outras denominações surgiram. Quase todas usando o adjectivo “evangélico” mas, tristemente, tão amiúde longe da Boa Nova. E logo de seguida ou mesmo concomitantemente, nasceram novas “igrejas”, sendo que, a dado ponto, se assistiu à proliferação de seitas. Estas diferenciam-se em absoluto pelo seu proselitismo “desenfreado”, pela insistência, muitas vezes vergonhosa, das contribuições pecuniárias junto dos seus adeptos e pelo propagar da falsa ideia de que, quanto maiores as dádivas, mais fácil é a salvação e o lograra da felicidade individual. Mentiras que o protestantismo refuta completamente. “Pela Graça sois salvos”, diz o Senhor (Efésios2: 8-9). Vêm esses ultimamente caminhando de mãos dadas com forças políticas ultra-reaccionárias, saudosas dos tempos negros de outrora, xenófobas, racistas, misóginas e que não abraçam nunca princípios de inclusão e desinteressada solidariedade. Veja-se o caso, paradigmático de facto, da Igreja Maná e a sua aliança clara com o partido Chega, um partido de matriz fascizante, que vive da disseminação do ódio contra quem pensa de maneira diferente, e contra, especialmente minorias étnicas, estrangeiros, migrantes. Recorrendo ao embuste, às mentiras despudoradas, ao desrespeito total.
Não querem os protestantes ou os católicos romanos seguir por estas veredas espúrias. Esta Terra que habitamos e que oramos seja de Fraternidade e de Paz, assim o reclamam.
Deus nos acompanhe nestes propósitos.
20/03/2026
A equipa assume a gestão editorial de Terra da Fraternidade, mas os textos de reflexão vinculam apenas quem os assina.
