Tambores de guerra? Não! Paz, sim!
Nos últimos dias, em diferentes momentos e locais do Mundo, têm aumentado o ruído dos tambores da guerra, para alguns o único meio para a resolução de conflitos entre Estados ou povos.

Alexandre Valério é licenciado em Geografia e foi dirigente de uma IPSS.
É por isso útil retornar ao Papa Francisco, recordando as suas sábias palavras, aquando da ida à Corsega, quando destacou que “A guerra é sempre uma derrota”, fazendo um sentido apelo para ser escutado, tendo referido o apelo de Jesus no Evangelho de Lucas: 'Se os profetas se calarem, as pedras falarão' (Lc 19,40).
Sábias e muito actuais palavras, quando contrapostas com as recentes e brutais afirmações do principal general francês, que num encontro com autarcas, avisou as famílias francesas para se prepararem para ver os seus filhos (e filhas) morrerem numa guerra na Europa até 2030; afirmações inseridas num crescente clima de Guerra sim e Paz não.
É por isso bom relembrar, que o alastar da guerra na Europa, a manutenção de muitas outras no Mundo ou o surgimento de novos conflitos, não é apenas gerador de mais mortes, fome, migrações forçadas ou destruição de bens e recursos, mas acima de tudo de aumento das fortunas de alguns à custa da desgraça de milhões de seres humanos.
Segundo dados do Instituto Internacional de Investigação da Paz de Estocolmo (SIPRI), só em 2023, as receitas das empresas de armamento aumentaram 4,2%, alcançando os 598 mil milhões de euros, um “modesto crescimento de apenas” 0,2% na Europa. No concreto refere-se a empresas como a Airbus (França/Alemanha), a Leonardo (Itália), a Thales (França), a Rolls Royce (Reino Unido) e Rheinmetall (Alemanha), que neste último caso, teve um aumento de 10% dos seus lucros, com a produção de munições de 155 mm e aos tanques Leopard.
É por isso útil recordar o Papa Leão XIV, quando em Maio de 2025, afirmou “O povo quer a paz e eu, com o coração na mão, digo aos dirigentes do povo: encontremo-nos, falemos, negociemos! A guerra nunca é inevitável, as armas podem e devem ser silenciadas, porque não resolvem os problemas, mas aumentam-nos.”, numa audiência no Vaticano com os representantes das 23 Igrejas Católicas do Oriente. Torna-se assim urgente e necessário alargar o número daqueles que dizem TAMBORES DA GUERRA? NÃO!! PAZ, SIM! PAZ SIM!
28/11/2025
A equipa assume a gestão editorial de Terra da Fraternidade, mas os textos de reflexão vinculam apenas quem os assina.
